Benedito Lacerda um dos grandes expoentes da Música Popular Brasileira (MPB), que nasceu em Macaé no dia 14 de março de 1903, é tema de pesquisa que revelou um documento inédito de seu batizado na igreja São João Batista. A pesquisa de Quincas Avelino está em fase de elaboração no Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quincas conta que o interesse pela história de Benedito Lacerda aumentou quando veio morar na cidade de Macaé.
“A história dele me chamou atenção. Resolvi então pesquisar a fundo sua vida e realizando pesquisas, descobri um documento, ainda inédito, que permite uma análise mais apurada da biografia do flautista, já que as duas biografias escritas sobre a vida de Benedito Lacerda não fazem referência ao seu batismo”, contou.
O documento que comprova o batismo de Benedito Lacerda é de 2 de dezembro de 1903, onde o músico foi registrado como filho de Maria Louzada Braga e Agapito Rangel. Os padrinhos, de acordo com o registro, foram João da Silva Rocha e Carmelita Coelho Borges, sob o número 314 e folha 75, no livro de Batismo de 1901-1905 da Paróquia de São João, realizado pelo vigário Manuel Ignácio Cândido Costa.
“Na pesquisa que tenho desenvolvido, trabalho com a noção de vida-obra, nela há uma convergência entre a produção artístico-cultural e os dados biográficos. Nesse cenário, é possível atribuir a poesia e a musicalidade de Benedito Lacerda aos acontecimentos de sua vida”, explicou.
Infância e adolescência
De acordo com a pesquisa de Quincas, pouco se sabe sobre a infância e a adolescência de Benedito Lacerda. No entanto, há registros de que o músico enfrentou dificuldades materiais e até mesmo situações de vulnerabilidade alimentar.
Mais tarde, no início da juventude junto com sua mãe e irmã mudaram para o Rio de Janeiro, e para sobreviver, Benedito vendeu jornal e foi caixeiro de armarinho na região central da Capital.
Vida no Estácio e sua passagem pela Polícia Militar
Segundo a biografia do músico, a partir da década de 1920, a família foi morar no Estácio, na região da Cidade Nova, um bairro popular de operários. O Estácio desde a virada do século possuía organizações carnavalescas e sociedades dançantes, negras e proletárias. E é nesse ambiente que o samba ficou conhecido.
Em 1923, documentos registram que ele era músico (soldado) do 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em São Cristóvão. Foi uma forma que encontrou para sobreviver e estudou música com muita dedicação.
“A vida militar, no meu entendimento, também permitiu que Benedito percebesse a necessidade da disciplina dentro do meio musical, como estar bem vestido, arrumado e no horário marcado com o contratante, por exemplo, são indicativos de que o flautista entendeu o meio artístico e buscou formas de ascender financeiramente, o que conseguiu”, ressaltou o pesquisador.
Benedito, nas décadas de 1920 e 1930, se destacou como compositor e músico, deixando um legado para a cultura e música brasileira, uma forma de tocar flauta no samba e no choro.
Legado de Benedito vivo em Macaé
Quincas destaca que o legado e o estilo musical de Benedito Lacerda continuam presentes na cidade de Macaé.
“Quando a gente escuta o Grupo Biguá; uma palestra de Rúben Pereira; a confraria Samba, Choro e Poesia no Espaço Cultural Aruanda no Mestre Dengo; ou Wallace, que recebe o grupo de chorões no Bico da Coruja, é, sem dúvida, a presença da influência e do legado de Benedito Lacerda. Tenho entendido que um dos maiores benefícios das pesquisas é mostrar que o patrimônio imaterial, embora intangível, também pode movimentar a economia cultural e local. Esse patrimônio é fundamentado em saberes que permanecem vivos e circulam entre as pessoas. No caso do samba e do choro, esses saberes fazem parte do legado do macaense Benedito Lacerda”, conclui.
