Quem passar pelo Centro da cidade tem a oportunidade de conhecer, até o dia 2 de outubro, as exposições “Permanências: Entre Rostos, Lugares e Memórias”, de Felipe Macedo, e “Correspondências”, de Adilson Moreira, na Galeria de Arte Hindemburgo Olive, no Centro Macaé de Cultura. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.A abertura aconteceu na noite desta terça-feira (8), reunindo público, artistas e representantes da área cultural. Na ocasião, Felipe Macedo interagiu com os visitantes, compartilhando aspectos de sua trajetória, referências e processos de criação. Sua exposição propõe uma imersão sensível nas marcas que o tempo imprime nos lugares, nas pessoas e nas paisagens. A mostra reúne diferentes pesquisas visuais e articula dois eixos importantes da produção do artista: o imaginário da série “Hybrasil”, construída a partir de sobreposições, e a reflexão sobre o patrimônio edificado, desenvolvida por meio do projeto “Macaé Design”. Ao aproximar as estruturas da cidade e as feições humanas — compreendidas pelo artista como verdadeiras “casas do tempo” —, Felipe Macedo mostra que o tempo não apenas transforma, mas também deixa marcas, camadas e lembranças.
Felipe Macedo destacou a importância de retornar a Macaé com um trabalho que reúne arte, memória e valorização da história local. Segundo o artista, sua pesquisa é resultado de cerca de três décadas de dedicação à revitalização e à preservação dessas referências.
“São 30 anos fazendo essa busca pela revitalização. Os áudios em QR Code foram gravados por mim e pela Beth Souto Maior e contam um pouco da história desses prédios e de seus moradores, como os da Visconde de Araújo e do Solar dos Mellos. É uma forma de não deixar essas pessoas serem esquecidas. Minha mãe também foi uma grande inspiração e participou da montagem do Solar dos Mellos”, contou.
O artista explicou ainda que as obras apresentadas na exposição dialogam com sua trajetória e com a necessidade de estimular novos olhares sobre a cidade.
“Essas pinturas foram feitas a partir de uma experiência que também apresentei no Morar Mais, no Rio, no ano passado. Trouxe para esta exposição uma linguagem simples, com traços de rostos, para que possamos perceber que existe uma arte por trás de cada rosto. Somos múltiplos”, afirma.
Para Felipe, a pintura surgiu de maneira inesperada e acabou se tornando uma das principais linguagens de sua trajetória artística.
“As pessoas até perguntam: ‘Você pinta?’. E muitas vezes se surpreendem quando descobrem que não é um hobby. Foi algo que descobri por acaso, quando trabalhava com cinema de animação. Alguém olhou para o meu trabalho e disse que aquilo era interessante. Eu também comecei a perceber que gostava e fui desenvolvendo esse caminho”, relatou.
A relação do artista com a preservação da memória macaense também aparece em iniciativas como a criação de peças inspiradas nos prédios históricos da cidade.
“Fiz aquelas canecas com imagens dos prédios históricos de Macaé para começarmos a olhar para eles de uma maneira mais carinhosa. Trabalhar com a memória e preparar uma exposição é um processo que venho desenvolvendo há muitos anos”, acrescentou.
Felipe também ressaltou a importância da iniciativa da Secretaria de Cultura para realização da mostra.
“O convite da Secretária de Cultura, Waleska Freire e do curador Gerson Dudus representa uma oportunidade muito importante de encontro e de revitalização desses espaços. Não apenas da arquitetura, mas também da alma do Centro da cidade. As cidades precisam que a gente volte a olhar para seus centros e para as histórias que eles guardam”, destacou entusiasmado.
A servidora pública Angélica Gonçalves fez questão de apreciar as exposições.
“Foi uma experiência muito agradável conhecer as duas exposições. São trabalhos diferentes, mas que despertam sentimentos e fazem a gente olhar para a cidade, para as pessoas, para as cores e para as memórias de uma maneira especial. É muito importante ter esse tipo de iniciativa em Macaé, porque aproxima a população da arte e oferece a oportunidade de conhecer o trabalho dos nossos artistas”.
“Correspondências”: arte que cria pontes entre memórias, cores e afetosNa outra sala da Galeria Hindemburgo Olive, o público encontra “Correspondências”, exposição de Adilson Moreira marcada pela presença de cores, referências culturais, natureza, paisagens urbanas e memórias.As obras estabelecem diálogos entre imagens, sentimentos e experiências. As cores ocupam lugar de destaque na produção do artista, criando atmosferas, contrastes e diferentes possibilidades de interpretação.Na produção de Adilson, natureza, paisagem urbana, memórias visuais e referências culturais se encontram e são reorganizadas em novas composições. As experiências vividas e as imagens que atravessam sua trajetória tornam-se matéria-prima para um processo criativo contínuo, no qual cada tela apresenta identidade própria.
É desse encontro entre arte, memória, referências e diferentes maneiras de perceber o mundo que nasce “Correspondências”. O título estabelece diálogo com o célebre poema Correspondências, de Charles Baudelaire, marcado pela aproximação entre diferentes sentidos e pela relação entre perfumes, cores e sons.Na exposição, essa ideia ganha novas possibilidades: imagens conversam entre si, cores estabelecem relações e memórias se transformam em matéria para a criação. A natureza e a vivência urbana aparecem não apenas como referências, mas como elementos reinterpretados e ressignificados em cada composição.
Para Adilson Moreira, a pintura representa, acima de tudo, uma forma de expressão construída a partir de inspiração e liberdade criativa.
“Agradeço muito pelo convite. Pinto por amor, e minha trajetória é marcada pela inspiração, pela intuição e pelo autodidatismo. Cada obra nasce desse encontro entre aquilo que vivencio, sinto e transformo em pintura”, afirmou.
Autodidata e apaixonado pelas artes, Adilson Moreira construiu, ao longo de mais de duas décadas, uma relação profunda com a pintura. Seu trabalho também se destaca pelo caráter solidário. Parte da comercialização de suas telas é destinada à ajuda de crianças na África, unindo sua paixão pela criação artística ao desejo de contribuir para uma causa social.
“Dessa maneira, cada obra apresenta uma dupla possibilidade: proporcionar uma experiência estética e, ao mesmo tempo, participar de uma iniciativa que ultrapassa o universo das galerias e alcança outras vidas.A exposição propõe, assim, uma reflexão sobre a capacidade da arte de criar conexões — entre passado e presente, indivíduo e cidade, memória e imaginação — e, sobretudo, entre a criação artística e a possibilidade de fazer o bem”, citou Adilson.
Cultura para todos – A realização das exposições integra a programação especial da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Macaé, que segue até o final do ano com uma agenda diversificada de eventos, exposições, oficinas, apresentações musicais, espetáculos teatrais, atividades formativas e ações voltadas à valorização do patrimônio histórico e cultural do município.A secretária de Cultura, Waleska Freire, ressaltou que a programação busca ampliar o acesso da população às diferentes manifestações artísticas e fortalecer a relação dos macaenses com sua própria história.
“A cultura nos conecta, fortalece nossos vínculos e contribui para construir nossa identidade. Nosso compromisso é manter uma programação diversificada, inclusiva e de qualidade, valorizando os artistas, reconhecendo diferentes linguagens e aproximando cada vez mais a população da arte, da memória e do patrimônio cultural de Macaé”, destacou.
Presente na abertura, o curador Gerson Dudus também falou sobre a programação da galeria e a proposta de reunir artistas com trajetórias e linguagens diferentes.
“Este ano, a galeria vem alcançando um resultado muito positivo com sua programação. Os artistas interessados entram em contato conosco, para dialogarmos, conhecermos as telas e assim eles apresentarem seus trabalhos. A expectativa é que, até outubro, o público possa conhecer ainda mais esses dois artistas, que possuem trajetórias, objetivos e formas de criação bastante diferentes entre si. Ao mesmo tempo, ambos têm uma relação muito forte com Macaé, e foi justamente essa diversidade que tornou interessante reuni-los nesta exposição”, explicou.
A Galeria de Arte Hindemburgo Olive está localizada no Centro Macaé de Cultura. Interessados em informações sobre exposições e programação da galeria podem entrar em contato pelo e-mail: galerias.culturamacae@gmail.com.
