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Setembro Amarelo: Macaé mostra a força do acolhimento na saúde mental

Redação 2 by Redação 2
17 de setembro de 2026
in Macaé
Tempo de 4 Minutos de leitura
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Reconhecida como a Capital Nacional da Energia e do Conhecimento, Macaé também se destaca pelo fortalecimento de suas políticas públicas de saúde. Para além do cuidado físico, a atenção à saúde mental ganhou prioridade na rede municipal, que registrou mais de 40 mil atendimentos nos últimos quatro meses. A oferta de suporte gratuito e humanizado no município tem o poder de redesenhar trajetórias, como a do aposentado Carlos Henrique, de 63 anos. Há 20 anos, o macaense trabalhava em uma plataforma offshore quando uma peça do guindaste caiu exatamente onde ele operava. Salvo por ter se afastado segundos antes para buscar um documento, o livramento do acidente gerou um forte abalo emocional e um nível altíssimo de estresse. “Dali eu tive uma crise nervosa de uma tal maneira que me desembarcaram. Eu comecei a ter pensamentos muito negativos. Esse foi o momento mais difícil para mim”, relata Carlos sobre o trauma que alterou radicalmente sua rotina.
Diante do isolamento e das dificuldades vivenciadas no período de crise, a presença da família foi o pilar decisivo para buscar forças. “A minha esposa entendeu e me levou para o tratamento. O que despertou dentro de mim a vontade de sair do fundo do poço foi primeiro a minha família, porque eles estavam sofrendo como eu”, relembra. Embora contasse com plano de saúde privado na época, foi na rede pública que encontrou a chave para a reabilitação. “O plano me atendia, mas o SUS é que me salvou. Tive profissionais que me ensinaram através de arte, cultura, literatura e teatro do oprimido, o que me fez voltar a ler e a estudar”, destaca Carlos, que foi acolhido no CAPS III Betinho.
O processo de recuperação transformou sua história e redefiniu o futuro de sua casa: presenciando a evolução do pai, sua filha inspirou-se no acolhimento recebido para cursar a faculdade de Psicologia. Além disso, os profissionais o incentivaram a integrar a associação ASPA, caminho que o levou ao Conselho Municipal de Saúde. “A minha dor foi transformada para ajudar o próximo. Hoje, quem me conhece de quando eu cheguei para hoje fala: ‘Esse daí não é o mesmo Carlos Henrique’”, celebra o conselheiro.
A atenção à saúde mental no município também se estende às novas gerações. O cuidado com o público mais jovem atende a um cenário preocupante do país: dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) indicam que 1 em cada 5 jovens possui algum tipo de transtorno mental no Brasil. Em Macaé, essa realidade é acompanhada de perto no Centro de Referência do Adolescente (CRA), onde a jovem Mel, de 15 anos, encontrou no projeto Papo de Cria e no acompanhamento psicológico a sustentação necessária para lidar com as transformações da adolescência e com os desafios das relações interpessoais.
Criada em um ambiente familiar de afeto por suas duas mães, Cíntia e Adrieli, a estudante viu no grupo de convivência do município um espaço seguro para desenvolver o autocuidado e fortalecer laços de amizade. Por meio de dinâmicas, jogos de tabuleiro e rodas de conversa sobre realidades do cotidiano, o projeto transforma a rotina dos jovens assistidos na rede.
“Quando você vem para cá de um jeito, você sai de outro, sai com um sorriso no rosto. Aqui eu me sinto acolhida, vejo que tenho amigos de verdade e aprendo coisas que levo para o meu dia a dia”, conta Mel, que hoje incentiva outros adolescentes a vencerem o preconceito e buscarem o apoio oferecido pelo município.
De acordo com Rebeca Ribeiro, profissional da rede de saúde mental do município, o modelo de atendimento em Macaé garante uma linha de cuidado adaptada às necessidades individuais de cada cidadão, alinhada aos princípios da Reforma Psiquiátrica e do SUS.
“Quando a pessoa chega à nossa rede, nós construímos junto com ela um Projeto Terapêutico Singular. Cada paciente identifica aquilo que consegue fazer e aderir, seja em atendimentos individuais, grupos ou oficinas, como musicoterapia ou bordado. O mais importante é oferecer um acolhimento em liberdade e sem julgamentos. Assim como não temos vergonha de procurar acompanhamento para qualquer questão de saúde física, não há por que ter vergonha de buscar ajuda para a saúde mental. A orientação inicial é procurar a estratégia de saúde da família mais próxima da sua casa, e dali as equipes fazem o direcionamento correto”, explica Rebeca.Serviço: onde buscar ajuda em macaé
 
A rede municipal de saúde mental atende desde o acolhimento inicial nos bairros até casos de emergência e convivência comunitária:Atenção Primária (Porta de Entrada Principal):
Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Estratégia Saúde da Família (ESFs): Acolhimento inicial e encaminhamento para a rede especializada.Centros de Atenção Psicossocial (Atendimento Especializado de Porta Aberta):
CAPS III Betinho (Adultos): Funciona 24 horas.
CAPS II AD Porto (Álcool e Outras Drogas): Segundas e sextas, das 8h às 17h; terças, quartas e quintas, das 8h às 21h.
CAPSi Oficina da Vida (Infantojuvenil): Segundas e sextas, das 8h às 17h; terças, quartas e quintas, das 8h às 21h.Ambulatórios Especializados (Necessitam de encaminhamento):
Núcleo de Saúde Mental: Equipe multiprofissional. Segunda a sexta, das 8h às 21h.
Ambulatório de Psiquiatria do PSA: Segunda a sexta, das 7h às 20h.Convivência e Emergência:
Centro de Convivência e Cultura Benedicto Lacerda: Oficinas e grupos. Segunda a sexta, das 8h às 17h.
Emergência Psiquiátrica 24h: Pronto Socorro Municipal (PSA) e SAMU (192).
Apoio Emocional Nacional: Ligue para o CVV (188) — ligação gratuita 24h.

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