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Como a transformação de um esgoto deu origem a um processo de desenvolvimento territorial no Sul do Brasil

Como a transformação de um esgoto deu origem a um processo de desenvolvimento territorial no Sul do Brasil

Como a transformação de um esgoto deu origem a um processo de desenvolvimento territorial no Sul do Brasil

A história da região que hoje é conhecida como La Frontera se cruzou com a história do Sebrae em 2009. Um grupo apartidário de prefeitos de municípios de Santa Catarina, Paraná e do estado das Missiones, na Argentina, buscou o Sebrae para patrocínio de um projeto de arquitetura para resolver um problema de um esgoto em um rio que banhava uma praça. Na época, o atual diretor técnico, Bruno Quick, ocupava o posto de gerente da Unidade de Políticas Públicas da instituição e recebeu o grupo.

“O pedido era simples: apoiar um projeto para uma praça degradada. Mas a resposta foi outra: em vez de resolver o sintoma, o Sebrae propôs organizar o território para gerar desenvolvimento de verdade”, lembra o diretor. A solução foi a metodologia do LIDER, que hoje compõe a Estratégia dos Territórios Empreendedores em sua Fase 2 (conheça). Um piloto já havia sido feito em uma região do Rio Grande do Sul e a metodologia, passado por ajustes.

“Trabalhar o território é trabalhar identidade, afinidades, cultura, economia, vocação local e pertencimento”, destacou Bruno Quick

O grupo aceitou o desafio, se apropriou da metodologia de desenvolvimento territorial e mudou a realidade local. Hoje, a região tem um dos principais laboratórios lácteos, possui uma indústria pulsante, educação pública com acesso a recursos de tecnologia. Entre as principais entregas, se destacam a implantação do Parque Turístico Ambiental de Integração – o que transformou uma área degradada em espaço estruturado de convivência e turismo –, a execução de projetos de saúde.

A região recebeu melhoria logística e viária, além da consolidação de uma governança binacional ativa. O território também avançou em iniciativas estruturantes de desenvolvimento, incluindo programas nas áreas de educação empreendedora (com alcance em municípios, escolas e capacitação de professores). Houve atuação na área do turismo, inovação e associativismo.

“Tudo isso fortaleceu a articulação institucional, gerando resultados concretos de integração, qualificação e dinamização econômica local”

Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae

Território: eixo do desenvolvimento

Exemplos como esse foram mostrados, nesta quinta-feira (21), no X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas realizado, em Belo Horizonte, pelo Instituto Rui Barbosa e pelo TCE/MG com o apoio do Sebrae. Além do território de La Frontera, Bruno Quick mostrou outros dois exemplos exitosos de experiências territoriais – o Território Empreendedor da Ibiapaba (CE) e o Movimento Integra Chapadas.

Eles foram destacados entre os 130 Territórios Empreendedores implementados pelo Sebrae em todo país. Hoje, são mais de 1,5 mil municípios envolvidos e mais de 5 mil lideranças engajadas. “Eles são os verdadeiros indutores do processo. Afinal, trabalhar o território é trabalhar identidade, afinidades, cultura, economia, vocação local e pertencimento. Quando a comunidade começa o processo, percebe que há muito mais afinidades do que diferenças”, disse Quick. Para ele, o desenvolvimento territorial é, majoritariamente, um desafio de comportamento — não de tecnologia.

Foco em soluções

Com uma programação diversificada, o X Congresso Internacional procurou mostrar uma atuação propositiva dos tribunais de contas. “Os tribunais de contas deixam de olhar apenas para o erro cometido e passam a olhar para o que dá certo — mapeando boas práticas, trabalhando com evidências e ajudando a fazer essas soluções circularem pelo país”, pontuou o diretor técnico do Sebrae ao lembrar que as ações em conjunto entre as entidades já possuem histórico de 13 anos.

O propósito do Congresso se conecta ao do Sebrae ao focar em estruturar capacidades locais de desenvolvimento. “Não apenas em resolver problemas”, assegurou o diretor. O Sebrae trabalha um modelo de desenvolvimento territorial que se explica em três etapas:

1. Visionar

A partir da visão do local, busca-se construir uma leitura qualificada do território com indicadores de ativos, desafios, vocações e nível de maturidade.

2. Traçar caminhos

Transformar visão de cada território com a formação de planos locais com agenda estruturada e compromissos coletivos.

3. Protagonizar a transformação

A partir desse trabalho, a governança local passa a dar conta da execução, monitoramento e manutenção de uma agenda de desenvolvimento.

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