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Conselho de Ética aprova prosseguimento de processo contra Erika Hilton por quebra de decoro

Conselho de Ética aprova prosseguimento de processo contra Erika Hilton por quebra de decoro

Conselho de Ética aprova prosseguimento de processo contra Erika Hilton por quebra de decoro

Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Apreciação de pareceres preliminares. Dep. Cabo Gilberto Silva (PL - PB)
O relator, Cabo Gilberto Silva, defendeu a continuidade do processo

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, o prosseguimento da Representação 8/26, em que o Partido Missão acusa a deputada Erika Hilton (Psol-SP) de quebra de decoro. O partido pede a cassação do mandato da deputada.

O Missão questiona especificamente o seguinte trecho de um post de Erika Hilton na plataforma X em março deste ano, após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa.”

O partido entende também que, ao escrever no mesmo post: “Podem espernear. Podem latir”, Erika Hilton ofendeu diretamente as mulheres cisgênero, cuja identidade corresponde ao sexo biológico, “rebaixando-as à condição de cadelas”.

Parecer favorável
Autor do parecer preliminar aprovado, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), concluiu pela continuidade do processo.

“A imunidade parlamentar não afasta a possibilidade de que o próprio Parlamento reconheça excesso ou abuso no emprego da palavra e aplique a sanção que entender cabível”, disse o relator.

Defesa de Erika
Na defesa prévia apresentada ao conselho, Erika Hilton pedia o arquivamento do processo e acusava oposição de perseguição política. Segundo ela, a palavra “imbeCIS” se dirigia a pessoas transfóbicas, e não à coletividade das mulheres. Em relação a “podem latir”, afirma que a frase se referia a seus opositores políticos.

A defesa também pedia a troca do relator, argumentando que Silva não estaria sendo imparcial por já ter assinado um projeto de resolução que reservava os cargos na Mesa da Comissão da Mulher apenas a deputadas do sexo feminino.

Presidente do Conselho de Ética, o deputado Fabio Schiochet (União-SC) negou o pedido de troca de relator. Schiochet concluiu que a apresentação de projetos não pode ser confundida com pré-julgamento de conduta individual.

Durante a reunião, os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) reforçaram, em defesa da deputada, que a fala jamais se referiu a mulheres cisgênero, e sim a grupos transfóbicos e racistas.

“Estamos aqui discutindo um tweet que foi descontextualizado, quando uma deputada, uma mulher negra, trans, foi legitimamente eleita para ser presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e vai se defender de grupos de homens que estavam sendo transfóbicos, machistas, racistas, redpills”, disse a deputada Professora Luciene Cavalcante.

Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Luciene Cavalcante: “A deputada estava se defendendo de grupos de homens transfóbicos”

Próximas etapas
Com o prosseguimento do processo, a deputada receberá uma cópia da representação e terá dez dias úteis para apresentar defesa escrita.

Ela poderá ainda indicar provas e apresentar até oito testemunhas.

Em seguida, o relator iniciará a fase de produção de provas e apresentará o parecer final.

O processo tem prazo de até 40 dias úteis.

O parecer final será discutido e votado pelo Conselho de Ética nominalmente.

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