“Me chamavam de maluca.” Foi assim que Zica Assis resumiu o início da trajetória que transformou uma ex-empregada doméstica em uma das maiores referências do empreendedorismo brasileiro. A empresária abriu o Esquenta da Semana do MEI 2026 do Sebrae com um relato sobre persistência, inovação e planejamento.
Nascida e criada no Catumbi, no Rio de Janeiro, Zica começou a trabalhar aos 9 anos para ajudar a sustentar a família. Filha de uma lavadeira e de um biscateiro, cresceu em uma casa com 13 irmãos. O ponto de virada foi um resgate da criança que sofreu preconceito por causa do cabelo crespo. “Eu queria entender por que precisava alisar o cabelo para entrar na casa das pessoas”, contou.
A inquietação levou Zica a fazer um curso de cabeleireira para entender a estrutura do próprio fio. O que começou como uma busca pessoal virou oportunidade de negócio. Após desenvolver a fórmula do produto, Zica esperou cerca de dez anos para regularizar patente e registro antes de colocá-lo no mercado. “Eu podia desistir, mas queria fazer tudo certo”, afirmou.
Em 1993, ao lado do marido, do irmão e de uma amiga, abriu um pequeno salão nos fundos de uma casa, com investimento de R$ 4,2 mil. Nascia ali o Instituto Beleza Natural, rede especializada em cabelos crespos, cacheados e ondulados que se transformaria em um fenômeno de mercado. O modelo de atendimento especializado, focado em um público historicamente negligenciado pelo mercado de beleza, atraiu filas e fez o negócio escalar. O crescimento veio rápido e Zica conta que se inspirou no McDonald’s e na Disney para melhor satisfazer a clientela.
Hoje, o grupo conta com dezenas de unidades, presença em diferentes estados, fábrica própria de cosméticos, mais de 1.500 colaboradores e atendimento a cerca de 130 mil clientes por mês. Ao longo da conversa, conduzida pela jornalista Ana Canedo, Zica destacou que o crescimento da empresa não aconteceu por acaso e que planejamento foi decisivo em todas as fases do negócio.
“Empreendedor precisa saber onde está, onde quer chegar e como quer chegar. O mercado não brinca. A gente precisa continuar aprendendo, ouvindo o cliente e se adaptando ao novo”
Zica Assis, empreendedora
A empresária também ressaltou o papel do Sebrae no crescimento da companhia, especialmente na profissionalização da gestão. Segundo ela, foi a instituição que ajudou a estruturar processos, criar padrões e organizar o crescimento da marca desde os primeiros anos do salão. “Eu lá no meu fundinho de quintal procurei o Sebrae porque queria organizar a empresa, criar padrões, uniformizar funcionários. O Sebrae foi muito importante para o crescimento do Beleza Natural desde o início.”
Planejamento é ponto de transformação

Além da trajetória de Zica, a abertura trouxe histórias mais próximas da realidade de milhares de MEIs brasileiros. A empreendedora Indianara Corrêa, dona da esmalteria Unhas de Maria, em Florianópolis, contou como transformou uma pequena operação iniciada com apenas cinco clientes em um negócio estruturado.
Há 18 anos atuando como manicure e há oito empreendendo, Indianara afirmou que o principal desafio foi começar praticamente do zero após mudar de bairro e abrir o próprio espaço sem clientela formada. Ela brinca que “tinha cinco clientes, um sonho e a cara de pau que todo empreendedor precisa ter”.
Segundo a empreendedora, a grande virada aconteceu durante a pandemia, quando passou a estudar gestão e planejamento empresarial com conteúdos e mentorias do Sebrae. Foi nesse momento que deixou de enxergar o negócio apenas como um espaço de atendimento e passou a entender o potencial de crescimento da empresa. “Eu percebi que não era só manicure. Eu era uma empreendedora. O conhecimento mudou completamente a forma como eu enxergava o meu negócio”, afirmou.
Indianara também destacou que planejamento vai além das finanças e impacta diretamente a qualidade de vida do empreendedor. “Empreender sem planejar é dar um tiro no próprio pé. A gente precisa saber para onde o negócio está indo, definir metas e entender que mudar a rota também faz parte do empreendedorismo.”
A gerente de Relacionamento do Sebrae em Pernambuco, Adriana Côrte Real, reforçou durante o encontro que muitos pequenos negócios fracassam justamente por falta de estrutura e planejamento.
“O MEI nasce muito rápido, mas também se desfaz rapidamente. Não adianta só saber que precisa fazer. O empreendedor precisa de ferramentas, orientação e planejamento para diminuir riscos”
Adriana Côrte Real, gerente de Relacionamento do Sebrae PE
Segundo Adriana, o Sebrae atua justamente para ajudar empreendedores a transformar ideias em negócios sustentáveis, oferecendo desde conteúdos online até consultorias e ferramentas práticas de gestão. Ela destacou ainda que conhecer o cliente é uma das etapas mais importantes para crescer de forma consistente. “Nenhuma empresa vai fazer tudo para todo mundo. Entender quem é o cliente e qual problema você resolve faz toda a diferença no crescimento do negócio.”
Esquenta Semana do MEI
Assista aqui ao conteúdo completo do primeiro dia do Esquenta Semana do MEI. A programação segue ao longo da semana com transmissões online diárias, sempre às 18h, pelo canal do Sebrae no YouTube. Nesta quarta-feira, o convidado é Thiago Godoy, especialista em educação financeira e autor de livros sobre finanças familiares.
Nos próximos dias, o Esquenta terá também as participações de Gian Giardelli, referência em transformação digital, inteligência artificial e comportamento, e de Ana Tex, empresária conhecida por conteúdos sobre posicionamento digital, e-commerce e estratégias de vendas pela internet.
Semana do MEI
De 25 a 29 de maio, o Sebrae promove em todo o Brasil a Semana do MEI, com ações presenciais e eventos on-line. Em sua 17ª edição, a iniciativa contempla em sua programação atividades sobre comportamento empreendedor, planejamento para formalizar ou decolar seu negócio, orientações para crédito, gestão financeira, inovação, transformação digital, atendimento ao cliente, como vender mais e melhor, marketing e muito mais.
Participe!
Saiba mais sobre a Semana do MEI.
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