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Empreendedorismo construído coletivamente gera turismo de base no Nordeste Goiano

Empreendedorismo construído coletivamente gera turismo de base no Nordeste Goiano

Empreendedorismo construído coletivamente gera turismo de base no Nordeste Goiano

Da roça para a mesa dos turistas. Comida preparada no fogão a lenha, com ingredientes colhidos no próprio local. Essa é uma das experiências vivenciadas por quem visita as famosas cachoeiras da Comunidade Kalunga do Engenho II, como a Santa Bárbara, em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros (GO).

Há mais de duas décadas, com o apoio do Sebrae, a comunidade desenvolve o turismo de base comunitária como uma importante fonte de renda, preservação do território e valorização das tradições e da cultura Kalunga.

Arroz, milho, feijão, vegetais, hortaliças e galinha caipira estão entre os alimentos oferecidos aos visitantes. Boa parte dessa produção vem da própria comunidade, sem o uso de agrotóxicos e com respeito aos saberes transmitidos ao longo da história.

“É muito gratificante ter nascido e vivido até hoje na comunidade, de onde tiro o meu sustento. Aqui, a gente planta, colhe e prepara tudo fresquinho, com muito amor, carinho e profissionalismo. São saberes transmitidos de geração em geração. Eu não fiz curso de culinária: aprendi com a minha mãe, cresci comendo essa comida e, depois, comecei a prepará-la”, conta Áurea Paulino, proprietária do Restaurante da Auriana.

Além de conhecer as belezas naturais da região e experimentar a culinária Kalunga, os visitantes podem contratar guias locais e conhecer a lojinha da comunidade, onde são comercializados artesanatos, alimentos e outros produtos feitos pelos próprios moradores.

Turismo e preservação

Adriano Paulino da Silva (à esquerda) destacou o apoio do Sebrae à Comunidade Kalunga, que recebeu a visita do presidente da instituição, Rodrigo Soares, nesta sexta (17)

Ao lado da agricultura e das manifestações culturais, o turismo consolidou-se como a principal atividade econômica dos moradores do Engenho II.

A experiência, no entanto, vai além das cachoeiras e da gastronomia. Quem visita a comunidade também tem a oportunidade de vivenciar o Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que ocupa aproximadamente 23% do território nacional. Para os moradores, a preservação ambiental está diretamente ligada à proteção da identidade, da cultura e do território Kalunga.

“Para nós, o Cerrado e o povo Kalunga são uma coisa só. Hoje, mais de 86% do território Kalunga está preservado, e a gente quer continuar protegendo essa riqueza, sem permitir a entrada de grandes lavouras”, afirma Adriano Paulino da Silva, presidente da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II (AKCE).

Adriano destaca ainda que o apoio do Sebrae tem ampliado a visibilidade da comunidade e fortalecido o protagonismo dos próprios moradores na promoção do território.

“O Sebrae trouxe conhecimento, promoveu trocas de experiências e abriu espaço para que a própria comunidade apresente seus produtos, sua história e sua cultura em feiras e rodadas de negócios. Isso é muito importante porque somos nós mesmos que promovemos o território Kalunga e o turismo, e não uma agência. Quando não podemos participar, o Sebrae leva nossos materiais e representa o nosso trabalho”

Adriano Paulino da Silva, presidente da AKCE

Serviço

A visita às cachoeiras dura, em média, três horas e exige esforço físico de leve a moderado. O acesso aos atrativos é permitido apenas com o acompanhamento de um guia Kalunga.

Grupos de até seis pessoas podem dividir o valor do serviço de guiamento: R$ 200 para um atrativo, R$ 250 para dois e R$ 300 para três.

Mais informações neste link.

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