Em tempos de Inteligência Artificial, digitalização e comércio eletrônico, o conceito de inovação acaba sendo quase sempre associado a novidades tecnológicas. Mas inovar pode ser algo muito mais simples, como fazer algo já consolidado de forma diferente, aumentando a produtividade, alcançando resultados promissores e priorizando impactos sociais e ambientais positivos.
Com o foco na inovação aliada a inclusão social e sustentabilidade ambiental, o Sebrae conectou pequenos negócios ao público do evento, a compradores, investidores e parceiros durante o Impacta Mais 2026, realizado na quarta-feira (20) e na quinta (21), em São Paulo (SP). O evento é o maior fórum de economia de impacto do país e explora soluções sustentáveis e inovadoras aos desafios socioambientais atuais.
O Sebrae selecionou 10 empresas para expor no evento. Elas fazem parte do Sebrae Impacta, uma comunidade de negócios de impacto socioambiental que a instituição criou em 2025 e já conta com mais de 400 negócios.
“São empresas que o Sebrae tem priorizado para gerar oportunidades de negócios como essa, levando para eventos, promovendo capacitações. Nossa atuação no fórum visa também divulgar essa iniciativa para a comunidade crescer”, afirma Philippe Figueiredo, analista de Inovação do Sebrae Nacional. “Essa é uma oportunidade de fortalecer a marca Sebrae como grande ator de desenvolvimento do ecossistema de negócios de impacto”, acrescenta.
A instituição participou do evento oferecendo conteúdo e promovendo pequenas empresas de diversas regiões do país. A programação incluiu debates sobre temas como desafios de integração das startups, a Lei Geral dos Pequenos Negócios, compras públicas e o poder da colaboração.

Foi justamente para colaborar com a sua comunidade de origem que o pedagogo e técnico em agroecologia Francisco Melo Medeiros fundou a Ybí-Ira Mel da Terra, que comercializa mel da abelha Jandaíra, nativa do sertão do Rio Grande do Norte.
Toda a produção está centralizada na Associação de Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço, a “Joca”, impactando positivamente na renda de 60 famílias que, trabalhando juntas, geram 1 tonelada de mel por ano.
“Inovamos na produção de mel e derivados, como licor e geleia polinizada, a partir do olhar das pessoas de dentro do território, valorizando o saber local. Como resultado, temos uma atividade socialmente justa, economicamente viável e sustentável”, esclarece Medeiros.
Agora, com o apoio do Sebrae, ele e a sócia, a geógrafa e técnica em meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão) Lorene Kássia Barbosa, pleiteiam o selo de Indicação Geográfica (IG), em busca de novos mercados.
A distribuição não será problema, pois poderão contar com a expertise da BagLog, startup fundada em Linhares (ES), há cerca de 1 ano. Acelerado pelo Sebrae, o foco do negócio é fazer a ponte entre o produtor e a cadeia logística local.
Utilizando, quando possível, modais de baixo impacto ambiental, como bicicletas e carros elétricos, e otimizando as entregas por meio do agrupamento de mercadorias, a CEO Patrícia Vitória almeja ampliar as fronteiras de atuação hoje restritas a Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. “A participação ajuda a divulgar soluções como a nossa e torná-la conhecida”, afirma.
Mirella Domenich, co-fundadora da Sul – Inteligência para Impacto, concorda: “Essa oportunidade é estratégica.” Sua meta é captar recursos para escalar o desenvolvimento de uma inteligência artificial, a Mariah, assistente de negócios virtual voltada a nano e microempreendedores. “A ideia é facilitar a vida do empreendedor”, diz Mirella, cuja empresa, do Rio de Janeiro (RJ), também foi acelerada pelo Sebrae.
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