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Macaé avança na implementação da política de cuidados paliativos

Macaé avança na implementação da política de cuidados paliativos

Macaé avança na implementação da política de cuidados paliativos

A primeira Conferência de Cuidados Paliativos de Macaé foi encerrada nesta quarta-feira (7), após dois dias de debates sobre os desafios e os caminhos para consolidar essa assistência na rede municipal. A programação reuniu especialistas e profissionais de saúde para discutir a política nacional, práticas de cuidado e a atuação de diferentes áreas junto a pacientes e familiares. Instituída pelo Ministério da Saúde em 2024, a Política Nacional de Cuidados Paliativos estabelece diretrizes para organizar essa assistência no SUS. A proposta é oferecer cuidado integral e humanizado às pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida, com atenção não apenas aos sintomas físicos, mas também às necessidades emocionais, sociais e espirituais do paciente e de seus familiares. O cuidado pode ser oferecido junto a outros tratamentos e em diferentes pontos da rede de saúde.
Em Macaé, práticas de cuidados paliativos já são realizadas no Hospital Público Municipal (HPM), enquanto o município trabalha para estruturar e integrar a assistência aos demais serviços da rede. Em outubro de 2025, a cidade promoveu o primeiro simpósio municipal sobre o tema, e o HPM realizou seu primeiro encontro dedicado aos cuidados paliativos. Em dezembro, foi criada, em caráter permanente, a Comissão Municipal de Cuidados Paliativos. Já em abril de 2026, a comissão aprovou a cartilha municipal. A conferência realizada nesta semana integra esse processo.
No segundo dia da conferência, a médica Sylvia Christina Câmara Gama Costa, responsável pelos cuidados paliativos no HPM, abordou a política nacional e as mudanças que ela propõe para a assistência no SUS. Ao explicar os princípios do cuidado, destacou a importância de prevenir e aliviar o sofrimento, considerando as necessidades de cada paciente.
“Os cuidados paliativos buscam prevenir e aliviar o sofrimento de pessoas com doenças graves. A equipe avalia e trata sintomas, como a dor, e considera também as necessidades emocionais, sociais e familiares de cada paciente”, explicou Sylvia.
Na sequência, o fisioterapeuta Sandro Leonard Machado Duque discutiu a contribuição da reabilitação nos cuidados paliativos. A palestra tratou da adaptação das intervenções às condições e prioridades de cada paciente, com atenção à funcionalidade, ao conforto e à autonomia.
“A reabilitação também faz parte desse cuidado. As intervenções devem respeitar a condição clínica e os objetivos de cada pessoa, contribuindo para o conforto e para a manutenção das capacidades possíveis”, afirmou Sandro.
À tarde, a psicóloga Fernanda Daflon e a neuropediatra Lívia Lobo conduziram o debate sobre os desafios da assistência a crianças com condições crônicas complexas. A programação foi encerrada com a palestra da psicóloga Camila Buttignol sobre dignidade e aplicações clínicas da Terapia da Dignidade.
A equipe multiprofissional do Polo Municipal de Oncologia também participou da conferência. Profissionais das áreas administrativa e técnica, incluindo fisioterapia, psicologia, Serviço Social, farmácia e fonoaudiologia, acompanharam os debates sobre a integração dos cuidados paliativos à rede.
“Para quem acompanha pacientes oncológicos, ampliar o conhecimento sobre cuidados paliativos significa oferecer um atendimento mais preparado, humano e integrado em todas as etapas. A participação de profissionais de diferentes áreas ajuda a alinhar as equipes e a compreender melhor as necessidades do paciente e de sua família. A conferência foi um passo importante para fortalecer essa política em Macaé”, afirmou o coordenador do Polo, Anderson Campos.
Para a coordenadora municipal de Cuidados Paliativos, Paloma Soares, a conferência faz parte do processo de organização da política na rede municipal. O trabalho envolve fortalecer a atuação multiprofissional, ampliar o diálogo entre os serviços e definir caminhos para incorporar esse cuidado aos diferentes pontos de atenção à saúde.
“Já existem práticas de cuidados paliativos no município, como as desenvolvidas no HPM. A conferência é mais uma etapa para discutir como organizar e integrar essas ações, avançando na consolidação da política municipal”, disse Paloma.

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