Por trás de cada trio elétrico, bloco, camarote e escola de samba, estão pequenos negócios que garantem que o Carnaval aconteça. Costureiras, empresas do ramo do turismo, produtores culturais, músicos e diversos outros prestadores de serviços entram em cena antes mesmo da festa começar muitas vezes. Mais perto do folião, na hora em que tudo acontece, estão os ambulantes de alimentação, que avançam na formalização a cada ano. Mais de 56 mil se tornaram microempreendedores individuais (MEI) em 2025, um crescimento de 45% em dois anos. Foram 38,8 mil em 2023 e 42,8 mil em 2024, segundo levantamento do Sebrae com base nos dados da plataforma DataSebrae.
Apenas na Bahia, foram quase 3 mil ambulantes formalizados como MEI no ano passado, 39% a mais do que em 2023. No Rio de Janeiro, 6.572 ambulantes se formalizaram como MEI em 2025, um aumento de 54% na comparação com dois anos antes, quando 4.259 se formalizaram. Em São Paulo, houve a formalização de 16.015 ambulantes como MEI em 2025, 43% a mais do que o registrado em 2023 (11.139).
A cadeia de empreendedores que movem o Carnaval, de forma geral, será visibilizada por meio de ação do Sebrae durante os dias de folia em Salvador. Com o mote “Empreendedorismo baiano: tem Sebrae nesse molho”, a instituição evidencia que a maior festa popular do mundo é feita pelos pequenos negócios. Para isso, promoverá experiências com empreendedores de pequeno porte de diversos segmentos, como moda, economia, alimentos e bebidas, no camarote Viva Bahia, no circuito Barra-Ondina. Quase 90% dos fornecedores do espaço são micro e pequenas empresas.
A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) é uma das formas mais acessíveis, seguras e vantajosas para o dono de um pequeno negócio atuar no Brasil. O empreendedor obtém um CNPJ, amplia as oportunidades de crescimento, com possibilidade de acesso a crédito com melhores condições, emissão de nota fiscal e garantia de direitos previdenciários. Tudo isso mediante o pagamento de uma arrecadação mensal, de forma simplificada, o que assegura mais proteção e estabilidade para o negócio.
Ambulantes que se formalizaram como MEI
Brasil
- 2025 – 56,4 mil
- 2024 – 42,8 mil
- 2023 – 38,8 mil
Bahia
- 2025 – 2,9 mil
- 2024 – 2,2 mil
- 2023 – 2.127
São Paulo
- 2025 – 16.015
- 2024 – 12.653
- 2023 – 11.139
Rio de Janeiro
- 2025 – 6.572
- 2024 – 4.511
- 2023 – 4.259
A iniciativa do Sebrae busca reforçar a importância da formalização, da gestão e da sustentabilidade para quem empreende no Carnaval. A proposta é mostrar que a festa também é um grande espaço de geração de renda, inovação e inclusão produtiva, conectando os pequenos negócios às oportunidades criadas pelo evento. O Sebrae atua orientando empreendedores sobre boas práticas, acesso a capacitações e estratégias para ampliar resultados antes, durante e depois do Carnaval, fortalecendo a cadeia produtiva local.
“O Carnaval é um dos maiores palcos de conexão com o público no Brasil e, para o Sebrae, estar presente de forma estratégica é fundamental. Quando levamos a marca para experiências reais, vividas no território e junto aos empreendedores, fortalecemos não apenas o branding, mas também o nosso propósito”, afirma Ana Paula Garcia, coordenadora nacional da Marca do Sebrae.
“Essas ações de live marketing mostram, na prática, que o Sebrae está onde a economia acontece, apoiando quem faz a festa girar e transformando visibilidade em valor para os pequenos negócios”
Ana Paula Garcia, coordenadora nacional da Marca do Sebrae
Com acarajé, baiana viu surgimento do axé, criou sete filhos e conheceu o mundo
Um exemplo de como o empreendedorismo transforma vidas é a história da baiana Maria Emília Bittencourt, que começou como ambulante e alcançou muitas conquistas com seu trabalho. Ela vende acarajé há mais de 60 anos e trabalhou por 45 anos no Largo de Amaralina, espaço que já foi um tradicional point das baianas de acarajé soteropolitanas.
Nesse período, ela já viu muita coisa acontecer no Carnaval de Salvador (BA): o desenvolvimento dos trios elétricos, o surgimento dos blocos afros e até a criação do Axé Music. Mais do que testemunhar a festa tomar uma proporção gigantesca, a empreendedora aproveita este momento para faturar mais. Ela conta que, em média, a folia faz crescer em até 25% as vendas do alimento. Neste ano, a expectativa é de que mais de 1,2 milhão de turistas cheguem à capital soteropolitana e movimentem mais de R$ 1,8 bilhão.

“A minha expectativa é fazer um carnaval muito bom, que eu venda bastante e ganhe muito neste ano”, deseja a microempreendedora individual. Maria Emília conta que, em sua trajetória, o acarajé fez com que ela conhecesse mais de 40 países e criasse os sete filhos, além de conquistar o principal: a sua independência financeira. “Estou com mais de 60 anos trabalhando e não pretendo parar por agora. Isso me deixa viva, me faz forte”, destaca.
Para melhorar ainda mais, com 75 anos, ela passou recentemente por uma capacitação do Sebrae em parceria com o governo local para levar sustentabilidade (projeto Sustenta Folia) para o seu pequeno negócio, localizado na praia do Porto da Barra.
“O Sebrae tem um lado muito bom em ajudar a baiana a evoluir. Esse último curso trouxe um aprendizado muito grande para cuidar da natureza. Aprendi a usar melhor os materiais e não tinha noção de quanto estávamos agredindo o meio ambiente com os descartáveis”, ressalta a empreendedora, que neste ano vai utilizar copos, canudos e pratos de papel, além de garfos de madeira.
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