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Por trás do silêncio: cinema promove reflexão sobre depressão e suicídio

Por trás do silêncio: cinema promove reflexão sobre depressão e suicídio

Por trás do silêncio: cinema promove reflexão sobre depressão e suicídio

É possível usar a arte para falar sobre a importância de estarmos atentos aos aspectos nem sempre perceptíveis da depressão e do suicídio, além de aprender a reconhecê-los e lidar com eles. Essa é a proposta do Cinema Comentado deste Setembro Amarelo, no Solar dos Mellos. Os documentários “Elena” e “Para os que ficam” serão exibidos nos dias 8 e 22, respectivamente, sempre a partir das 19h. No dia 24, no mesmo horário, também haverá exibição do Curta no Museu, com a produção macaense “Outro lado da ponte”. Com entrada franca, a programação deste mês, dedicada à reflexão sobre um tema tão sensível, contará com o apoio de duas profissionais com atuação na área de saúde mental: Blandina Daniel Piccinini, psicóloga, mestra em Atenção Psicossocial pelo IPUB/UFRJ e integrante da Pró-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRJ (PR7) – Macaé; e Viviane Vieira de Souza Marques, psicóloga clínica, formada em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUC e em Cuidados Paliativos pelo Albert Einstein.
Os filmes selecionados, além de belos e delicados, trazem experiências de pessoas que passaram pela perda de um ente querido, histórias e entrevistas com pessoas que estudam e trabalham com essa questão. A proposta é estimular a reflexão e ampliar o espaço de diálogo sobre saúde mental, depressão e suicídio, sempre de maneira respeitosa e cuidadosa.
“É um tema de saúde mental importantíssimo. De 2015 para cá, o suicídio se tornou uma das maiores causas de morte violenta no mundo. Para a OMS, é uma epidemia. E a OMS acredita que é preciso que a gente fale mais sobre o suicídio, de modo adequado, respeitoso, mas que se fale sobre o assunto. E que se propague, justamente, quem pode ajudar nessa cruzada, para que se diminuam esses números que são espantosos. São 700 mil mortes por ano por suicídio. Aqui no Brasil são mais de 37 mortes por dia por causa do suicídio, números preocupantes”, relata Gerson Dudus, curador do projeto.

As exibições acontecem no Solar dos Mellos, Museu da Cidade de Macaé, que fica na Rua Conde de Araruama, 248, Centro.Cinema ComentadoElena – Lançado em 2012, o primeiro documentário de Petra Costa recebe o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, Elena toca em debates sensíveis acerca do suicídio e da depressão. Com roteiro de Petra Costa e Carolina Ziskind, a produção reúne depoimentos, ensaios fotográficos, imagens de arquivo e entrevista com a diretora. O trabalho foi premiado em diversos festivais, entre eles o Festival de Brasília, o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, o Festival Internacional de Documentários da Croácia, o Los Angeles Brazilian Film Festival, o Festival de Havana e o Festival Internacional de Cinema de Arquivo.
Para os que ficam – De 2023, com direção e roteiro de Susanna Lira, o documentário aborda o suicídio sob a ótica daqueles que, diante dessa perda traumática, precisam reconstruir a vida: os chamados “sobreviventes enlutados”. O filme explora a dor e o processo de superação enfrentados por essas pessoas, oferecendo uma visão profunda das emoções e experiências vividas por aqueles que ficam.Curta no MuseuOutro lado da ponte – De Alice Tavares e Leonardo Saleh, o documentário retrata as memórias e perspectivas de migrantes que vivem em um dos maiores bairros de Macaé, o Parque Aeroporto. O trabalho foca nas trajetórias desses indivíduos, revelando suas motivações, expectativas e sonhos, além de suas experiências de pertencimento no município.
A cidade, marcada por um crescimento vertiginoso desde a chegada da Petrobras, é dividida pela famosa Ponte da Barra, que marca a existência de duas realidades e cidades distintas. Estar do lado de “cá” ou de “lá” da ponte depende do lugar de onde se fala. Aqui, entende-se que o outro lado da ponte é aquele onde as histórias são e foram menos registradas e, na maioria das vezes, invisibilizadas.
A produção de Outro lado da ponte foi aprovada no Edital 007/2023 da Secretaria Municipal de Cultura de Macaé, com apoio da Lei Paulo Gustavo.

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