O Web Summit Lisboa, um dos maiores eventos mundiais de tecnologia e inovação, representa uma importante porta aberta para empresas brasileiras ao mercado europeu, e a startup Wood Lab é uma prova disso. Participante das duas últimas edições do evento, com apoio do Sebrae e da ApexBrasil, a startup evoluiu de uma oportunidade de visibilidade internacional para uma estratégia de internacionalização para entrada no mercado europeu.
“Nossa participação em 2024 foi mais para conhecer o evento e fazer networking. Foi quando tivemos o primeiro contato com o Instituto Politécnico de Santarém que viria se tornar nosso parceiro para o desenvolvimento do passaporte digital da madeira, nosso produto internacional com foco na Europa”, lembra Fernanda Onofre, fundadora e CEO da Wood Lab.
A segunda participação no evento, no ano passado, foi crucial para avançar na internacionalização. A startup participou de pitch em seminário internacional e foi uma das selecionadas para um período de incubação na capital portuguesa, no escritório da ApexBrasil. A partir dessas experiências, a empresa retorna mais uma vez ao Web Summit Lisboa, em 2026, para prospecção de negócios.
“Web Summit Lisboa representa a construção da nossa jornada. Em 2024, éramos apenas um projeto de pesquisa. Em 2025 criamos uma rede de contatos e parceiros e chegamos mais estruturados para a incubação. Hoje temos livre acesso à Universidade Politécnica de Santarém e conseguimos entrar no ecossistema europeu” conta Onofre.
Nascida no Acre, a Wood Lab desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial, ciência da madeira e educação ambiental para conectar pessoas, conhecimento e biodiversidade amazônica. Sua primeira participação no Web Summit Lisboa foi por meio da seletiva do programa Inova Amazônia do Sebrae que acelera ideias de bionegócios inovadores.
Fernanda brinca que o maior desafio da internacionalização é ganhar em real e gastar em euro. “Na verdade, é um processo que leva tempo. Os europeus têm um outro ritmo para fechar negócios, mas estão muito abertos a parcerias”, pontua. Segundo ela, o apoio do Sebrae e da ApexBrasil facilita o processo. “As portas se abrem com mais facilidade. São duas instituições bem conhecidas e respeitadas dentro do ecossistema”, ressalta.

De conexões a resultados
A edição de 2026 do Web Summit Lisboa será realizada entre os dias 9 e 12 de novembro. Para o Sebrae, a participação das startups brasileiras no evento vem se consolidando como uma estratégia que vai muito além da presença institucional e da visibilidade internacional.
Entre 2022 e 2025, fomos evoluindo de uma atuação muito concentrada na participação no evento para uma jornada de internacionalização mais estruturada. Hoje, esse trabalho começa antes da viagem, com preparação das startups, entendimento do mercado e construção de uma agenda de negócios.
Cristina Mieko, Head de Startups do Sebrae
“Durante o Web Summit, buscamos potencializar as conexões por meio do Pavilhão Brasil, pitches para atores estratégicos, participação em competições do próprio Web Summit e do Startup Portugal, aproximação com investidores, empresas, hubs e programas de softlanding. E o trabalho não termina no evento: acompanhamos tanto os negócios gerados naquele momento quanto as oportunidades que podem se concretizar nos meses seguintes”, complementa.
Segundo Mieko, essa evolução acompanha o crescimento da presença brasileira no Web Summit, mas também uma mudança na forma de trabalhar a internacionalização das startups. “Mais do que levar uma startup para um evento internacional, nosso papel é ajudá-la a chegar mais preparada para entender se aquele mercado faz sentido, com quem precisa se conectar e como transformar essas conexões em oportunidades reais de negócio, investimento e entrada em novos mercados.”
Os resultados mostram essa evolução. Nas edições de 2022 e 2023, as startups participantes geraram mais de US$ 1,8 milhão em negócios. Em 2024, foram US$ 684,5 mil em negócios realizados e US$ 9,09 milhões em oportunidades projetadas. Em 2025, o balanço do Web Summit Lisboa registrou US$ 2,78 milhões em negócios fechados durante o evento, além de US$ 3,44 milhões em oportunidades estimadas para os seis meses seguintes.