O 2º Seminário de Redução de Danos reuniu profissionais de diferentes áreas, estudantes e representantes da comunidade, na tarde desta quarta-feira (5), no Auditório Cláudio Ulpiano, na Cidade Universitária, em Macaé. Promovido pela Prefeitura, por meio da Coordenação Geral de Políticas sobre Drogas (CGPOD), vinculada à Gerência de Vigilância em Saúde, o encontro proporcionou um espaço de diálogo, troca de experiências e reflexão sobre questões relacionadas à saúde, à justiça e às políticas públicas voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente do uso prejudicial de álcool, tabaco e outras drogas. De acordo com a Coordenação Geral de Políticas sobre Drogas, o seminário integra as ações de educação permanente promovidas pelo município e tem como propósito ampliar a circulação de conhecimentos sobre a política de redução de danos, fortalecendo a atuação integrada entre diferentes áreas profissionais e a construção de uma rede de cuidado cada vez mais qualificada.
Nesta segunda edição, que teve como eixo temático “Criminologia Crítica”, a programação ampliou a discussão sobre os impactos sociais do sistema penal e a necessidade de políticas públicas pautadas no cuidado, na prevenção e na garantia de direitos. As atividades foram conduzidas pelo advogado e professor de Direito Mohand Gomes Araújo, mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), doutorando do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Direito da UFF e presidente da Comissão OAB Vai à Escola, e pela psicóloga Thaís Sâmela Castro de Moraes, especialista em assistência a usuários de álcool e outras drogas, mestre e doutoranda em Psicossociologia de Comunidades. Durante sua participação, o professor Mohand Gomes Araújo abordou reflexões e aspectos teóricos e sociais relacionados aos conflitos, ao Direito e às políticas sobre álcool e outras drogas. Ele também provocou uma reflexão sobre a relação entre o sistema penal, o racismo estrutural e as políticas de drogas, destacando a importância de ampliar o olhar sobre essas questões e estratégias de manejo.
“Discutir redução de danos também significa refletir sobre direitos, justiça e sobre a forma como a sociedade lida com as pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas”, ressaltou o professor.
A psicóloga Thaís Sâmela Castro de Moraes trouxe para o debate questões relacionadas à saúde mental, aos transtornos graves, ao cuidado de pessoas privadas de liberdade e à interface entre saúde e Justiça, incluindo uma reflexão crítica sobre o chamado manicômio penal. Para ela, espaços de formação e troca são fundamentais para ampliar a compreensão dos profissionais sobre a temática.
“É muito importante participar de um momento como este e perceber o interesse dos profissionais pelo tema. Quando discutimos saúde mental, justiça e redução de danos de forma integrada, ampliamos as possibilidades de cuidado, visibilidade e de construção de práticas mais acolhedoras”, destacou.
O encontro foi aprovado. Entre os participantes estava a estudante de Ciências Sociais Karen Costa, que desenvolve um pré-projeto de mestrado voltado à temática das mulheres em situação de dependência química e às práticas educativas não escolares no processo de reconstrução de suas trajetórias. A estudante também atua em uma comunidade terapêutica e ressaltou a importância da formação para sua área de interesse.
“É essencial estar aqui, principalmente pela possibilidade de ampliar conhecimentos e trocar experiências com profissionais que atuam diretamente nessa área. Meu pré-projeto de mestrado aborda mulheres em situação de dependência química e as práticas educativas não escolares na reconstrução dessas trajetórias, tema que também faz parte da minha atuação em comunidade terapêutica. Participar de um seminário como este contribui muito para minha formação e para aprofundar esse debate”, afirmou Karen.
A programação também contou com a presença da coordenadora do Programa Saúde da População Negra, Jessika Celestino, que destacou a relevância da iniciativa e parabenizou a Coordenação Geral de Políticas sobre Drogas pela realização do seminário. “A promoção de espaços de diálogo e formação contribui para ampliar a discussão sobre redução de danos e fortalecer a atuação dos profissionais que trabalham com a temática”, citou.ESCOLA –
Os encontros da Escola de Redução de Danos de Macaé acontecem às quartas-feiras, das 14h às 17h, na sede da Coordenação Geral de Políticas sobre Drogas (CGPOD), localizada na Rua Darcílio Possati, nº 134, no bairro Visconde de Araújo. O próximo encontro terá como tema Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
A Escola de Redução de Danos é um projeto desenvolvido pela Prefeitura de Macaé, por meio da CGPOD, vinculada à Gerência de Vigilância em Saúde, que oferece formação gratuita para profissionais e estudantes interessados na área. A iniciativa busca qualificar a atuação no acolhimento, na prevenção e no cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade relacionada ao uso prejudicial de álcool, tabaco e outras drogas.
Macaé ocupa posição de destaque no cenário nacional na área de redução de danos. Atualmente, o Brasil conta com duas Escolas de Redução de Danos: uma vinculada à Prefeitura de Macaé e outra à Fiocruz, no Rio de Janeiro. A unidade macaense tem como objetivo preparar profissionais e estudantes para o desenvolvimento de práticas baseadas no cuidado humanizado, na prevenção, no acolhimento e na promoção da saúde.
A formação é destinada a profissionais de níveis médio e superior que atuam em Macaé e região, além de estudantes universitários e alunos de cursos técnicos de enfermagem, contribuindo para o fortalecimento de estratégias de cuidado e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e das comunidades.
