Parcerias entre o poder público, a sociedade civil e o setor privado reescreve o destino de adolescentes entre 12 e 18 anos que cumprem medidas socioeducativas. Com esta missão e desafio foi realizado o Primeiro Encontro Transformando Trajetórias, nesta terça-feira (1º), no Auditório do Paço Municipal, sede da prefeitura. O evento debateu a garantia da profissionalização e a reinserção social desses jovens junto com o papel das parcerias. O encontro foi promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Acessibilidade e Economia Solidária, por meio do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas). Atualmente, Macaé acompanha cerca de 80 jovens em regime de liberdade assistida — a maioria meninos negros, moradores de áreas de vulnerabilidade socioeconômica, sem concluir a escolaridade e com o histórico marcado pelo envolvimento com o tráfico de drogas.
Na abertura do evento, a secretária de Desenvolvimento Social, enfermeira Nayara Ribas, destacou que a proteção desses adolescentes, sob a ótica dos direitos humanos, exige a união de toda a comunidade, poder público e demais instituições.
“A real transformação na vida desses jovens é o que nos faz continuar com este importante trabalho. Afinal, trabalhar com a proteção de adolescentes assistidos dentro dos direitos humanos é tarefa que merece atenção e o envolvimento de todos”, enfatizou.
As medidas socioeducativas, previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e regulamentadas pelo Sistema Nacional Socioeducativo (Sinase), buscam responsabilizar o jovem, mas com o compromisso de garantir seus direitos e sua integração social. Para a coordenadora do Creas, a assistente social Eliana Ferez, a profissionalização é a chave para criar um novo projeto de vida e romper os ciclos de exclusão.
“A liberdade assistida busca proteger, educar e contribuir para a construção de novas oportunidades. Quando o poder público, a sociedade civil e empresas se unem, este trabalho se transforma em autonomia e novos caminhos”, pontuou.
O contraponto crítico e reflexivo veio na palestra de abertura, ministrada pelo professor Bruno Ferreira Teixeira, da Universidade Federal Fluminense (UFF – Rio das Ostras). Com o tema “Juventude, trabalho e socioeducação: caminhos para outras trajetórias”, ele apontou uma contradição no sistema atual.
“A história só se transforma quando transforma as formas objetivas dentro da realidade em que esses jovens estão inseridos. Hoje, as medidas socioeducativas representam uma contradição porque ofertam inserção e direitos, na maioria dos casos, depois que eles já cometeram as infrações. O ideal seria oferecer oportunidades antes que entrassem nessa estatística”, disse.
Para a efetiva transformação coletiva, o evento também reuniu parceiros estratégicos como A Associação Viva Lagos e o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), além de integrantes da Guarda Mirim de Macaé – jovens sem histórico de infrações, mas engajados na construção de uma sociedade mais justa, como observou a secretária Nayara Ribas.
A Viva Lagos e o CIEE são organizações focadas na inserção de jovens no mercado de trabalho por meio de programas de capacitação, estágio e aprendizagem. No contexto deste encontro, elas atuam como as pontes estratégicas entre os adolescentes assistidos pelo poder público e o setor privado.
Para a população que deseja conhecer de perto o trabalho de apoio e transformação social executado pelo município, o Creas Macaé atende à Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 403, no Centro da cidade.
