Ampliar a acessibilidade, fortalecer a comunicação e contribuir para um atendimento cada vez mais humanizado e inclusivo. Com esse propósito, profissionais que atuam na Clínica da Mulher participam do curso “Sobre Libras e Saúde das Mulheres Surdas”, iniciado nesta quarta-feira (16) e com programação prevista até 21 de outubro. A iniciativa busca aproximar os profissionais de saúde da Língua Brasileira de Sinais (Libras), proporcionando conhecimentos que podem fazer diferença desde o acolhimento até a orientação e o acompanhamento das pacientes. A capacitação é realizada na sede da Clínica da Mulher, localizada na Rua Teixeira de Gouveia, 1039, em parceria com graduandos e professores do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A proposta reúne conhecimentos das áreas de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Nutrição, fortalecendo a integração entre ensino, extensão e serviço de saúde. O Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé funciona no Campus UFRJ-Macaé Professor Aloísio Teixeira.
A programação aborda conteúdos introdutórios e específicos relacionados à comunicação em Libras, entre eles história da Libras; trajetória do Imperial Instituto dos Surdos-Mudos (IISM) e do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES); alfabeto manual; cumprimentos; expressões faciais afetivas e gramaticais; adjetivos, pronomes e verbos; emoções; profissões e escolaridade.Ao longo do curso, os participantes também terão contato com sinais e situações relacionadas diretamente à área da saúde. A formação está organizada em quatro módulos: Introdução à Libras, Propedêutica Médica em Libras, Saúde da Mulher em Libras e Fármacos em Libras. As atividades incluem aulas teóricas, exercícios práticos, simulados e atividades complementares realizadas remotamente por meio da plataforma Google Sala de Aula.
A estudante Maria Azevedo, do 10º período do curso de Medicina da UFRJ-Macaé, integra a equipe responsável pela capacitação e irá ministrar conteúdos ao longo da programação. Para ela, aproximar a Libras da formação e da prática dos profissionais de saúde contribui para reduzir barreiras de comunicação e ampliar a autonomia das pacientes.“Aprender Libras no contexto da saúde é compreender que a comunicação também faz parte do cuidado. Conseguir expressar o que sente, compreender uma orientação médica e participar das decisões relacionadas à própria saúde é fundamental. Por isso, a proposta deste curso é tão importante: queremos contribuir para que os profissionais se sintam mais preparados para acolher, escutar e atender essas pacientes com respeito, segurança e autonomia”, destacou Maria.
A importância da iniciativa também foi aprovada pela servidora participante Heloana Athaíde. A profissional da recepção da unidade, considera o conhecimento em Libras essencial para aprimorar o acolhimento.“Atuo na recepção e faço parte da rede pública de saúde há mais de 20 anos. Muitas vezes, somos o primeiro contato da paciente com a unidade, por isso precisamos estar preparados para acolher todas as pessoas. Aprender Libras amplia nossa capacidade de comunicação e nos ajuda a oferecer um atendimento mais respeitoso, acessível e humanizado. É um conhecimento que pode fazer muita diferença na experiência da mulher dentro do serviço de saúde”, afirmou Heloana.
Durante o primeiro encontro, também estiveram presentes as professoras Rita Martins, do Instituto de Ciências Farmacêuticas, e Deborah Machado, do Instituto de Enfermagem, além da intérprete Verônica Santos. Para o coordenador da Clínica da Mulher, Hugo Maia, a capacitação representa uma oportunidade de qualificar ainda mais o atendimento oferecido pela unidade.
“A saúde precisa estar preparada para acolher todas as pessoas, respeitando suas particularidades e garantindo acesso à informação e ao cuidado. A capacitação em Libras representa um avanço importante nesse sentido, porque fortalece a comunicação entre profissionais e pacientes e contribui para um atendimento mais humanizado. Essa parceria com a UFRJ-Macaé também demonstra como a aproximação entre universidade e serviço público pode gerar conhecimento e produzir resultados concretos para a população”, ressaltou Maia, acompanhado da profissional da unidade Georgia Quinteiro, que também acompanha a iniciativa.Formação
O curso será realizado com 10 horas de atividades presenciais. As aulas presenciais acontecem às quartas-feiras, das 13h30 às 15h30, com atividades práticas desenvolvidas durante os encontros e complementadas pelas tarefas remotas. Ao final, os cursistas participarão de uma avaliação prática em Libras, por meio de uma conversa, para verificar a compreensão e a aplicação dos conteúdos trabalhados.Clínica da Mulher
Localizada na Rua Teixeira de Gouveia, 1039, a Clínica da Mulher foi estruturada para oferecer atendimento integral à saúde feminina, reunindo serviços como pré-natal de alto risco e ambulatórios de subespecialidades, incluindo endometriose, ginecologia endócrina, patologia cervical e planejamento reprodutivo.A unidade atende mulheres em idade reprodutiva e conta com equipes de enfermagem e medicina responsáveis pelo acolhimento, avaliação individualizada e acompanhamento das pacientes. O planejamento reprodutivo integra a rotina do serviço como estratégia de promoção da saúde, prevenção e cuidado integral.
