Impulso para expandir, fôlego para prosseguir, hora de aprender… Cada um a seu modo, empreendedores de pequeno porte contam à Agência Sebrae de Notícias (ASN) como o Carnaval impacta seus negócios – para além das grandes cifras já estimadas por diferentes instituições que apontam mais de R$ 800 bi movimentados pela festa no Brasil.
São histórias que embasam a ação de marca do Sebrae em Salvador com o mote “Empreendedorismo baiano: tem Sebrae nesse molho”, em um espaço no circuito Barra-Ondina onde 90% dos fornecedores são micro e pequena empresas. Conheça alguns desses empreendedores e o que a festa representa para eles.
“Sem o Carnaval, eu não conseguiria expandir”
Anos como funcionário de construtoras e até um negócio próprio no ramo não foram suficientes para fazer Ricardo Silva, 46 anos, se identificar com o “mundo corporativo”. Ter feito o Empretec, curso de empreendedorismo com metodologia da ONU aplicado no Brasil pelo Sebrae, começou a abrir o seu olhar para novos horizontes. Anos depois, com preparo e coragem, ele abriu um bar, que depois evoluiu para o Silva Cozinha. A microempresa, criada em 2023, está prestes a dar um grande passo: vai sair de um endereço onde cabem 50 pessoas para um espaço com 200 lugares.
“Sem o Carnaval eu não conseguiria expandir. O buffet do Carnaval é o que nos dará tranquilidade para fazer uma expansão segura, sem depender de empréstimo”, conta Silva, um dos empreendedores que atuam o espaço onde se desenrola a ação do Sebrae no circuito Barra-Ondina.
Silva tem 30 funcionários, todos de carteira assinada. E,na operação do Carnaval ampliou a equipe temporária para cerca de 200 pessoas. “Fico intrigado quando vejo as pessoas falarem mal de uma festa como carnaval, dos investimentos que são feitos, sem terem ideia do impacto econômico gigantesco em vários setores”, afirma. Ele conta que depois do Empretec viu no Sebrae um parceiro na empreitada de ter o próprio negócio. “Recentemnte procurei apoio para entender sobre essa reforma tributária. Sempre fui muito bem atendido.”

Postos de trabalho triplicam e contas se equilibram
A marca baiana Thereza Priore Moda Autoral Brasileira, criada há 16 anos, tem 5 funcionários fixos, mas, durante o Carnaval, a equipe se expande para cerca de 15 pessoas. Neste ano, a marca estará presente exclusivamente no Camarote Viva Bahia para personalizar as camisas e abadás dos convidados. Thereza celebra a visibilidade para a marca e as oportunidades abertas pelo Carnaval.
“O faturamento gerado pelo Carnaval é estratégico e ajuda a equilibrar o mês de fevereiro, quando tradicionalmente as vendas sofrem uma queda”, afirma ela.
No espaço, a customização de abadás é intensa. Com tesouras, pistolas de cola quente, fitas e paetês, camisetas quadradas e padronizadas saem personalizadas, com recortes e enfeites ao gosto do cliente.
Rosenildes Santos, 43 anos, é uma das trabalhadoras temporárias do espaço. Com a criatividade a mil, ela atende a todos com um sorriso no rosto. Costureira desde jovem, ela destaca que a renda extra do Carnaval com customização vai ajudá-la no projeto de uma casa para a filha, que vai se casar.
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“É a melhor vitrine que temos”
Cleber Soares Pereira, 39 anos, conta que o Carnaval significa dobrar a renda dele como percussionista do grupo Paparicco, de Salvador. Com 16 anos de estrada, a banda já tocou ao lado de grandes nomes, faz shows regulares. Mas no carnaval a demanda explode.
“Vamos fechar o Carnaval com 14 apresentações. É cansativo, mas significa, além de renda, uma oportunidade de ficarmos conhecidos. A cada lugar que tocamos, um pega contato, vem falar, gosta. E outras contratações vão surgindo. É a melhor vitrine que temos”, diz Cleber.
“A iniciativa da ação do Sebrae reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento econômico, social e cultural, mostrando que o Carnaval, assim como outros grandes eventos, também são espaços estratégicos de geração de oportunidades e fortalecimento dos pequenos negócios”, afirma Ana Paula Garcia, coordenadora nacional da Marca do Sebrae.
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