O empreendedorismo feminino tem muitos rostos, sotaques e trajetórias. Com a proximidade do Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado em 17 de agosto, a Agência Sebrae de Notícias reúne as histórias de três mulheres que representam a diversidade dos pequenos negócios brasileiros e mostram que empreender vai muito além de abrir uma empresa.
É transformar adversidades em oportunidades, conquistar autonomia financeira e gerar impacto na família, na comunidade e na economia. Foi esse caminho que aproximou a baiana Josenice Rosa Lima Carvalho, a gaúcha Lucia Burille e a fluminense Viviane Queiroz da Silva Gonçalves. Em comum, elas encontraram no Sebrae um parceiro para fortalecer a gestão, ampliar seus negócios e transformar sonhos em empresas consolidadas.
As trajetórias das três refletem um movimento cada vez mais forte no Brasil. Segundo dados do Sebrae, o empreendedorismo feminino cresceu quase 30% na última década e alcançou o maior patamar da série histórica. Para ajudar a reforçar essa representatividade, o Sebrae oferece diversas soluções voltadas especificamente ao empreendedorismo feminino, como o Sebrae Delas — programa nacional do Sebrae voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino, consultorias especializadas, capacitações, mentorias, acesso a mercados e instrumentos que facilitam o crédito, como o Fampe Mulher, que avaliza 100% das operações de crédito realizadas por mulheres empreendedoras, nos bancos conveniados.
Incentivo a outras mulheres
Em Salvador (BA), Jô Lima começou quase por acaso. Mãe de João Guilherme e Jasmine, ela buscava apenas uma renda extra para realizar o sonho de se casar quando aceitou o convite de uma prima para fazer um curso de cabeleireira. O que parecia uma alternativa temporária logo revelou um talento e um propósito. “Percebi que não era só uma forma de ganhar dinheiro. Era sobre transformar vidas e fazer outras mulheres se enxergarem de uma forma diferente“, conta.
Ao longo da caminhada, Jô precisou aprender a administrar uma empresa enquanto conciliava a rotina de mãe, esposa e empreendedora. Também enfrentou dificuldades de acesso ao crédito e episódios de racismo estrutural após instalar seu salão em uma região valorizada de Salvador.
Com o apoio do Sebrae Delas, consultorias em gestão, marketing e finanças e acesso ao Fampe Mulher, estruturou a empresa, fortaleceu sua presença digital e conquistou capital de giro para expandir o negócio. Hoje, além do estúdio de beleza, lidera a Jô Lima Academy, onde compartilha conhecimento e ajuda outras mulheres a estruturarem seus empreendimentos.
A força de acreditar junto

No Rio Grande do Sul, a relação de Lucia Burille com o empreendedorismo começou muito antes da faculdade. Filha de agricultores, ela passava a infância brincando de fabricar doces de barro enquanto observava a mãe e a avó prepararem geleias e compotas. A lembrança da primeira geleia de marmelo feita pela mãe marcou tanto sua memória que acabou definindo seu futuro profissional.
Formada em Engenharia de Alimentos, Lucia deixou um cargo de gestão em uma grande empresa para criar a Fornello di Luccia, indústria boutique de geleias e antepastos artesanais instalada no Vale dos Vinhedos. O negócio nasceu em um contêiner de apenas seis metros quadrados e hoje leva produtos para diferentes estados brasileiros e também para países como Japão, Itália, Alemanha, Portugal, Canadá e Estados Unidos.
Depois das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, encontrou no Sebrae um aliado para reposicionar a empresa por meio de consultorias, programas de aceleração, fortalecimento da marca e abertura de novos mercados. “Quando eu acredito, vou longe. Mas, quando alguém acredita comigo, eu me torno imparável”, resume.
Novo recomeço
Em Duque de Caxias (RJ), Viviane Queiroz descobriu na confeitaria um caminho para reconstruir a própria história. Depois que um incêndio destruiu a loja do pai, ela começou a ajudar na cozinha da sogra de um amigo e passou três anos aprendendo a fazer bolos.

O que inicialmente serviu como refúgio emocional ganhou novo significado quando o pai lhe entregou as chaves de uma antiga loja da família para abrir seu próprio negócio.
Nascia ali a empresa Os Bolos da Vivi. No início, Viviane fazia tudo sozinha: produzia, atendia clientes, administrava as contas e cuidava do funcionamento da loja. Ao participar do Sebrae Delas, adquiriu ferramentas de gestão, reorganizou a empresa e conseguiu expandir o negócio. Atualmente possui duas unidades, emprega 12 colaboradores com carteira assinada e mantém uma rede de profissionais parceiros. “Aquilo que parecia ser o fim acabou sendo o início de um novo recomeço”, afirma.
Além de representar diferentes regiões e setores econômicos, as histórias das três empreendedoras têm outro ponto em comum: todas mostram que conhecimento, planejamento e acesso às ferramentas certas podem fazer a diferença para transformar pequenos negócios em empresas mais estruturadas, competitivas e sustentáveis.
Apoio do Sebrae às mulheres
Para a gerente da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão (UEDI) do Sebrae, Geórgia Nunes, fortalecer o empreendedorismo feminino significa impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.
“Quando fortalecemos uma mulher empreendedora, fortalecemos também famílias, comunidades e economias locais”, afirma.
“Nosso compromisso é ampliar o acesso dessas empresárias ao conhecimento, à inovação, ao crédito e às ferramentas de gestão para que seus negócios cresçam de forma sustentável e competitiva”
Geórgia Nunes, gerente da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae
Ainda na avaliação de Geórgia, o Sebrae busca construir uma jornada de apoio contínua para que cada empresária encontre soluções adequadas ao momento do seu negócio. “As mulheres empreendem em contextos muito diversos e enfrentam desafios específicos. Por isso, desenvolvemos soluções que combinam capacitação, consultoria, orientação técnica, acesso ao crédito e fortalecimento de redes de apoio, criando condições para que mais brasileiras transformem talento, coragem e dedicação em empresas sólidas, inovadoras e geradoras de renda.”
