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Alimenta 2026 coloca empreendedorismo no centro da gastronomia e da inovação em Brasília

Redação 3 by Redação 3
6 de novembro de 2026
in Negócios
Tempo de 7 Minutos de leitura
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A diversidade dos sabores brasileiros e o protagonismo dos produtores marcaram a abertura do Alimenta 2026, nessa quinta-feira (5), no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, em Brasília. Com mais de 160 expositores e expectativa de receber 20 mil visitantes até sábado (7), o primeiro dia do evento gratuito teve como destaque a participação do chef Jefferson Rueda, do restaurante A Casa do Porco, de São Paulo. No estande do Sebrae, 32 empreendedores selecionados apresentaram produtos artesanais e de Indicação Geográfica (IG) de diferentes regiões do país.

Promovido pelo Sebrae no Distrito Federal, o Alimenta reúne produtores rurais, agroindústrias, empresários, compradores e profissionais da gastronomia. A programação conta com mais de 100 palestrantes, experiências gastronômicas e oportunidades de negócios, além de mostrar como o agronegócio também impulsiona setores como moda, beleza e economia criativa.

Para a superintendente do Sebrae no Distrito Federal, Rose Rainha, o encontro amplia a visibilidade da produção regional e aproxima os empreendedores de novos consumidores. “Nosso objetivo é fortalecer esses negócios, ampliar sua visibilidade e criar oportunidades de conexão com novos mercados. A gastronomia envolve muito mais do que o produto final. Existe uma cadeia de produtores, fornecedores, serviços e profissionais que movimenta a economia e gera emprego e renda”, destacou.

“No Alimenta, conseguimos aproximar esses empresários de novas possibilidades, promover conexões e mostrar que o Distrito Federal tem uma produção diversificada, com qualidade e identidade próprias”

Rose Rainha, superintendente do Sebrae/DF

Do campo à alta gastronomia: Jefferson Rueda celebra a origem dos alimentos

Um feijão tropeiro com carnes do Rio Grande do Sul e molho de pequi de Goiás mostrou como a gastronomia pode conectar diferentes territórios. A receita foi apresentada pelo chef Jefferson Rueda durante a cozinha-show “Travessia dos Biomas”, que reuniu sabores do Pampa e do Cerrado com ingredientes de empreendimentos atendidos pelo Sebrae.

O prato levou embutido defumado da Três Irmãos Alimentos, linguiça suína defumada da SMB Embutidos e contrafilé da Ouro dos Pampas, empresas gaúchas, além de molho preparado com pasta de pequi do Sítio Boca do Mato, no norte de Goiás. A apresentação integrou o movimento Chefs de Origem, iniciativa do Sebrae com parceria e curadoria do Guia Michelin, que aproxima produtores e profissionais da gastronomia para valorizar ingredientes brasileiros. “Tem que haver sempre uma troca, e acho que o Sebrae e o Guia Michelin fazem isso muito bem”, destacou Rueda.

À frente do restaurante A Casa do Porco, em São Paulo, o chef acumula reconhecimento internacional. Em 2025, o estabelecimento alcançou a 25ª posição no ranking Latin America’s 50 Best Restaurants e recebeu o selo Bib Gourmand do Guia Michelin, concedido a restaurantes que oferecem boa gastronomia a preços acessíveis. A casa também mantém a Estrela Verde Michelin, reconhecimento por suas práticas sustentáveis.

“Tem que haver sempre uma troca, e acho que o Sebrae e o Guia Michelin fazem isso muito bem”, diz o chef Jefferson Rueda

Nascido no interior paulista, Rueda começou a cozinhar aos sete anos para ajudar a família. Aos 13, assumiu as refeições da casa e, aos 16, passou a trabalhar em um açougue. Com três décadas de carreira, preserva a ligação com o campo e as tradições familiares. “Eu nasci com uma conexão direta com a terra, numa rotina rural e sempre em torno de um fogão. Quando abri A Casa do Porco, já tinha um ideal: unir o regionalismo com as possibilidades da alta gastronomia. Estou muito feliz de estar aqui, falando com pequenos produtores e empreendedores da alimentação, para mostrar que é possível”, afirmou.

Ao defender uma relação mais próxima entre restaurantes e agricultores familiares, o chef ressaltou a importância de reconhecer o trabalho de quem está na origem dos alimentos. “A gente, chef de cozinha, é o divisor de águas entre o consumidor final e o produtor. Nosso papel é fundamental para valorizar o trabalho de quem está na ponta”, disse.

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“Estamos em um momento de celebração. Em 2027, vamos iniciar um novo ciclo do Juntos pelo Agro para termos uma atuação mais ampla. Trouxemos os gestores dos estados, tanto do agronegócio quanto de alimentos e bebidas, para discutir e apresentar resultados, as perspectivas de ampliação da nossa atuação nessas duas frentes, a estruturação e o planejamento de 2027. Vamos ter 11 casos de sucessos que se destacaram nos cinco anos da parceria para receber um reconhecimento do Sebrae Nacional”, comentou Claudia Stehling, coordenadora do Núcleo de Agronegócio, Alimentos e Bebidas do Sebrae Nacional.

“No Alimenta, estamos com um estande onde temos mais de 30 iniciativas, empresários do Prêmio CNA Brasil Artesanal que trouxeram seus produtos para serem comercializados no nosso espaço. Assim que eles são premiados, recebem uma consultoria do Sebrae para melhoria de suas embalagens, rotulagens, sites, participam de missões conosco”, afirma.

“Aproveitamos esse espaço para mostrar essa integração do agro com segmentos como gastronomia, artesanato, beleza, turismo de experiência”

Claudia Stehling, coordenadora do Núcleo de Agronegócio, Alimentos e Bebidas do Sebrae

Tradição e identidade regional ganham espaço no Alimenta

Entre os 32 participantes selecionados para o estande do Sebrae, histórias de empreendedorismo mostram como a origem dos produtos pode abrir caminhos para novos mercados. De Goiás a Santa Catarina, tradições e características únicas de cada território ganharam visibilidade durante a feira.

Aos 55 anos, Magna Leles, de Formoso, no norte de Goiás, levou ao Alimenta o açafrão-da-terra da região de Mara Rosa, reconhecida por sua Indicação Geográfica. Cooperada da Coopera Açafrão e à frente da recém-criada marca Magna Cúrcuma, apresentou o produto desde a raiz in natura até o pó culinário, destacando a rastreabilidade e os cuidados que garantem sua qualidade.

Magna Leles destacou o apoio do Sebrae para ampliar a divulgação do açafrão-da-terra

“Estar aqui em Brasília, mostrando a origem do nosso produto, é muito gratificante. É um produto único, com rastreabilidade e fiscalização rigorosa. Trouxemos o açafrão in natura, desidratado e em pó para que as pessoas conheçam todo o processo, desde a retirada da terra até o produto final”, contou. Magna também ressaltou o apoio do Sebrae e sua participação no programa Goiás Original, que contribuiu para ampliar a divulgação da produção.

Do município de Luiz Alves, em Santa Catarina, Orécio Rech, de 35 anos, apresentou a tradição de um alambique familiar cuja história remonta a 1925. Em setembro de 2024, a região conquistou o reconhecimento de Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem para sua cachaça, caracterizada pelo uso de leveduras nativas adaptadas às condições locais. Segundo ele, a certificação ampliou a visibilidade da bebida e abriu perspectivas de comercialização no exterior.

“O que tivemos de maior melhoria foi a visibilidade que o selo trouxe. Estamos fazendo tratativas para uma possível exportação, embora ainda não tenhamos nenhum negócio fechado”, explicou. O empresário também destacou o apoio do Sebrae em pesquisas relacionadas à certificação, consultorias, rotulagem, aperfeiçoamento dos processos produtivos e participação em feiras. No Alimenta, ele busca fortalecer a presença da marca no Distrito Federal e em Goiás.

Orécio Rech apresentou produtos do alambique familiar de Luiz Alves (SC)

Do lacre à passarela: sustentabilidade também gera negócios

A conexão entre a indústria de alimentos e outros setores da economia também ganhou espaço no Alimenta 2026. Entre os exemplos está a pernambucana Ângela Bezerra, de 72 anos, que vive em Brasília há mais de duas décadas e transforma lacres de latinhas em bolsas, roupas, acessórios e peças de decoração. À frente da ASB Artes e Criações Sustentáveis, ela iniciou trajetória na associação Cia dos Lacres, da qual participa há cerca de 26 anos e com a qual já levou suas criações a eventos no Brasil e no exterior.

“A criatividade é o que transforma tudo. É o lixo que virou luxo. Nós pegamos aquilo que seria descartado e transformamos em moda, em arte, em algo que tem valor”

Ângela Bezerra, empreendedora

Com apoio do Sebrae em capacitações, divulgação e participação em eventos, Ângela desenvolveu sua própria marca e mostra como a economia circular pode transformar resíduos da indústria de bebidas em produtos de maior valor agregado, aliando sustentabilidade e geração de renda.

Inovação e sustentabilidade completam a programação

Além das experiências gastronômicas e da exposição de produtos, o Alimenta 2026 oferece atividades de tecnologia, inovação e desenvolvimento empresarial. A programação inclui reciclagem, compostagem, ações de compensação de 110% das emissões de carbono, mentoria gratuita em marketing digital e doação de alimentos em parceria com o Banco de Alimentos.

Até sábado (7), o público poderá conhecer produtos de diferentes regiões do país e participar de atividades que aproximam consumidores, empreendedores e profissionais da cadeia de alimentos e bebidas, fortalecendo conexões comerciais e oportunidades de acesso a novos mercados.

Alimenta 2026

  • Quando: 5 a 7 de novembro de 2026
  • Onde: Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, Brasília (DF)
  • Entrada gratuita
  • Programação completa neste link.
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