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Da sacola de retalhos à rede de mulheres: moda afro-amazônica transforma vidas no Amapá

Redação 3 by Redação 3
30 de setembro de 2026
in Negócios
Tempo de 4 Minutos de leitura
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Uma sacola de retalhos, um banco de praça e uma mulher tentando construir o próprio caminho. Rejane Soares começou assim a trajetória da marca de moda afro-amazônica que nasceu no Amapá e, com o tempo, tornou-se também instrumento de transformação coletiva. Ela fundou, em 2013, o Instituto Zwanga Impacto Social, que atua na qualificação e no fortalecimento de mulheres pretas, pardas e periféricas, inclusive em comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia.

A metodologia parte de uma escolha importante: não esperar que essas mulheres se desloquem até os centros urbanos para encontrar oportunidades. É a equipe que entra nos territórios para oferecer formações em atividades como corte e costura, tranças, maquiagem, biojoias e outros ofícios capazes de se transformar em fonte de renda.

Ao final, as participantes expõem e comercializam o que produziram dentro da própria comunidade e recebem ferramentas para começar a trabalhar. “Não somos mais um certificado que vai ficar empoeirado na gaveta”, afirma Rejane. “Elas recebem ferramentas para trabalhar e isso garante a continuidade do que aprenderam.”

Com uma metodologia já estruturada e parcerias construídas com diferentes organizações, o Instituto buscou no Sebrae um aliado local para ampliar e fortalecer sua atuação no Amapá. Desde então, segundo Rejane, a instituição tem acolhido projetos, contribuído para aprimorá-los e apontado novos caminhos para um modelo que combina negócio, impacto social e enfrentamento das desigualdades raciais.

Foto: Divulgação

A vocação para atuar em rede, conta ela, veio de muito antes: Rejane é a segunda filha de uma família formada por seis mulheres negras, contando com a mãe, e cresceu vendo umas cuidarem das outras. Quando começou a vender suas criações, percebeu que outras mulheres enfrentavam as mesmas dificuldades para encontrar espaço e chegar ao mercado. “Venho dessa relação de afeto feminino coletivo. Sempre observei como estavam as outras que vinham do mesmo cenário de escassez que eu e como poderia somar com o crescimento delas”, conta.

É quando a renda começa a circular dentro das próprias comunidades, porém, que Rejane enxerga com mais clareza o alcance dessa rede. Uma mulher aprende um ofício, recebe ferramentas, conquista clientes e passa a comprar, vender e contratar perto de casa, fazendo o recurso permanecer no território e abrindo caminho para outras.

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Isso é economia preta periférica. Isso é dinheiro na mão das mulheres negras”, afirma Rejane. “É uma revolução silenciosa e necessária.

Rejane Soares, empreendedora

O impacto começa a aparecer antes mesmo de os cursos terminarem. Enquanto mães, filhas, tias e amigas espalham pela vizinhança a notícia das novas profissionais em formação, potenciais clientes passam a descobrir que já não precisam sair da comunidade para contratar uma costureira, maquiadora ou trancista. Segundo Rejane, cerca de 70% das mais de 360 mulheres qualificadas conseguiram abrir seus próprios negócios, resultado acompanhado pelo Instituto por meio de uma rede que permanece ativa após as formações.

Os sinais dessa mudança chegam em mensagens: uma comprou uma geladeira com o próprio dinheiro; outra passou a trabalhar com costura no Carnaval; há quem tenha começado a pagar o cursinho dos filhos, voltado para a faculdade ou conquistado condições financeiras para deixar uma relação abusiva.

Foto: Divulgação

Para Rejane, gerar renda é apenas uma parte desse processo. A formação também passa pelo resgate da identidade e da autoestima de mulheres que convivem com barreiras impostas pelo racismo, pelas desigualdades territoriais, pela falta de acesso a oportunidades e, em alguns casos, pela violência doméstica. Na Zwanga, referências estéticas e culturais negras e amazônicas tornam-se parte da construção dos negócios.

“Quando você entende que faz parte de uma herança ancestral rica, passa a entender que muito do que é nosso também pode fazer parte do nosso negócio”, afirma. Para ela, recuperar o orgulho do cabelo, do corpo e das próprias referências culturais também têm dimensão econômica. “Autoestima e identidade resgatadas são gente preta sendo parte real da economia”.

Compre do Pequeno

Os pequenos negócios brasileiros são a grande força da economia brasileira. Com mais de 24,19 milhões de CNPJs – o que representa mais de 96% das empresas ativas -, o setor é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). São mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) atuando em todo o território nacional.

A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, para valorizar o papel que esses empreendedores desempenham nas vidas das pessoas e de suas localidades.

Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento da economia local.

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