O Brasil alcançou, no último mês de junho, um novo recorde de estrangeiros registrados como microempreendedores individuais (MEIs), com mais de 106 mil CNPJs ativos. Esse número é 24% maior que o registrado em julho do ano passado. De acordo com levantamento feito pelo Sebrae, o principal país de origem dos estrangeiros que atuam como MEI no Brasil é a Venezuela, com 25% do total.
Ainda segundo o estudo, as principais atividades de ocupação desses empreendedores vindos de outros países são o comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios e o de confecção de peças do vestuário. O número de estrangeiros que atuam como MEI corresponde a 0,78% do total de microempreendedores (13.512.528). Eles estão distribuídos principalmente nas regiões Sudeste (cerca de 50,5 mil MEIs) e Sul (35 mil).
Pessoas de outros países vivendo no Brasil podem se formalizar como microempreendedor individual por meio da plataforma gov.br. Para isso, é necessário ter Carteira Nacional de Registro Migratório ou Documento Provisório de Registro Nacional Migratório ou ainda o Protocolo de Solicitação de Refúgio, que podem ser solicitados via cadastro no departamento de Polícia Federal com a indicação do número de registro.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, ressalta que a figura do MEI, criada em 2008, é um instrumento de geração de oportunidades, combate à pobreza e dinamização da economia nacional.
O MEI é reconhecido como uma política pública de inclusão produtiva bem-sucedida do Brasil. Para muitos estrangeiros, ter o próprio negócio é uma forma de iniciar uma nova trajetória no país. A formalização abre a oportunidade de transformar talento, trabalho e dedicação em negócios sustentáveis, com acesso a direitos, crédito, mercados e proteção social.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae
São Paulo é o estado com mais estrangeiros com o CNPJ de microempreendedor individual ativo, com cerca de 39 mil profissionais. Na sequência, estão Santa Catarina (14 mil), Paraná (13 mil) e Rio Grande do Sul (8 mil).
Mas, na comparação com o total de MEIs registrados no estado, Roraima lidera o ranking: de um universo de 24 mil microempreendedores existentes, os estrangeiros representam 11%. Roraima é seguido por Amazonas, onde 2% do total de MEIs são estrangeiros, Santa Catarina (1,87%) e Paraná (1,37%).
São Paulo, que lidera em números absolutos, tem 1% de MEIs estrangeiros na comparação com o total ativo no estado. Os estados com o menor número de empresas de estrangeiros foram o Amapá (112), Tocantins (147) e o Piauí (201).
Estrangeiros que são MEI no Brasil
- 2026: 106 mil
- 2025: 85,4 mil
- 2024: 76,8 mil
- 2023: 74,2 mil
- 2019: 42,9 mil
Principais países de origem do MEI estrangeiro em 2026
- Venezuela: 26.345 (25% do total)
- Bolívia: 15.361 (14,5%)
- Colômbia: 10.547 (10%)
- Argentina: 8.607 (8,1%)
- Cuba: 4.954 (4,7%)
- Haiti: 4.386 (4,1%)
- Uruguai: 4.122 (3,9%)
- Paraguai: 4.009 (3,8%)
- Peru: 3.696 (3,5%)
- Portugal: 2.973 (2,8%)
Observação: Esses 10 países correspondem à nacionalidade de 85 mil MEIs estrangeiros (80% do total).

Foto: Divulgação
Principais atividades dos MEIs estrangeiros (CNAEs) em 2026
- Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios: 11.799 (11%)
- Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas: 10.573 (10%)
- Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza: 6.663 (6,3%)
- Atividades de ensino não especificadas anteriormente: 4.459 (4,2%)
- Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas: 4.107 (3,9%)
- Atividades de malote e entrega: 3.886 (3,7%)
- Serviços especializados para construção não especificados anteriormente: 3.679 (3,5%)
- Transporte rodoviário de táxi: 3.373 (3,2%)
- Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada: 3.304 (3,1%)
- Atividades de publicidade não especificadas anteriormente: 3.207 (3%)
Observação: Essas 10 atividades concentram 52% dos MEIs estrangeiros.
MEIs estrangeiros x total de MEIs por região em 2026
- Sul: 35.187 (1,39%)
- Norte: 6.897 (1,13%)
- Sudeste: 50.519 (0,72%)
- Centro-Oeste: 7.050 (0,59%)
- Nordeste: 6.363 (0,29%)
Orientação para refugiados
Para estimular o empreendedorismo entre pessoas refugiadas, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, com o apoio do Sebrae, criaram a plataforma Refugiados Empreendedores. Ela reúne mais de 160 empreendimentos liderados por pessoas refugiadas em todo o país.
