O Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro, realizou hoje a abertura do IV Seminário “Mãos que Promovem o Brasil – Artesanato e Turismo como Vetores de Desenvolvimento”. Realizado em formato híbrido e com alcance nacional, o encontro reúne especialistas, gestores, artesãos e representantes de instituições para debater caminhos de integração entre os dois setores, compartilhar experiências e apresentar soluções inovadoras para o desenvolvimento dos territórios.
Quarto evento de uma série iniciada em 2024, o seminário consolida reflexões sobre o artesanato como expressão cultural, instrumento de sustentabilidade e motor de desenvolvimento econômico. A edição reúne práticas bem-sucedidas e discute como produtos e experiências podem atender aos visitantes sem perder identidade, autenticidade e vínculo com as comunidades.
Sergio Malta, diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio, ressaltou que o artesanato reúne memória, identidade territorial e criatividade, ao mesmo tempo que gera renda, inclusão produtiva e fortalecimento das economias locais. Para ele, essa vocação se conecta diretamente ao turismo, cada vez mais orientado pela busca de experiências autênticas.
“Quando uma pessoa leva consigo uma peça artesanal brasileira, leva muito mais do que o objeto: leva uma história, uma tradição, a identidade de um povo, um pedaço do Brasil. Por isso, fortalecer o artesanato também é fortalecer o turismo, promover destinos, gerar oportunidades e ampliar a circulação de riqueza nos territórios.”
Bruno Reis, presidente da Embratur, destacou o artesanato como instrumento de projeção internacional da cultura brasileira e de geração de impacto positivo nos destinos. Segundo ele, organizar as experiências e apresentá-las de forma acessível é essencial para aproximar visitantes, operadores e comunidades produtoras.
“Uma vez que o produto está organizado, fica mais claro para todos como ele pode ser acessado pelo turista. Queremos apresentar o Brasil de maneira organizada, para que o visitante conheça, valorize e compre o artesanato, deixando um impacto positivo no território.”
Programação em destaque
A programação foi aberta com a palestra “Do fio ao destino: como o artesanato transforma o turismo”, conduzida por Mirian Rocha, que propôs uma experiência sensitiva para demonstrar porque o artesanato mobiliza o turismo brasileiro, com base em sua atuação em projetos de valorização cultural, turismo de vivência e economia criativa. Na sequência, o painel “Turismo de base comunitária: artesãos estruturados para autonomia territorial” abordou a integração do artesanato às experiências comunitárias, valorizando o protagonismo e a autonomia das populações locais. O turismo pedagógico também esteve em pauta, a partir do caso de Cunha (SP), onde a cerâmica nipo-brasileira, os ateliês e os processos de aprendizagem contribuem para consolidar um fluxo turístico ligado à produção artesanal.
A experiência da Ilha do Ferro (AL), por sua vez, vai mostrar como a força do artesanato pode projetar um território e transformá-lo em um destino desejado. A programação apresenta ainda a Rota Mãos do Agreste (PE), iniciativa que integra turismo e artesanato em roteiros baseados na identidade territorial e criativa. Outro debate tratará do artesanato como lembrança turística e do desenvolvimento estratégico de produtos que conciliem autenticidade, identidade e demandas dos visitantes. Encerrando os painéis, o caso da Bahia evidenciou como a iconografia e os símbolos territoriais podem orientar a criação de peças capazes de comunicar histórias, memórias e identidades. Ao articular tradição, inovação e mercado, o seminário reforçou o artesanato como patrimônio vivo e oportunidade de futuro para comunidades de todo o país.
